quarta-feira, 4 de abril de 2018

OS FILHOS DO QUARTO

OS FILHOS DO QUARTO

Cassiana Tardivo

“Estou para escrever desde o dia que me pequei chorando por aquele garoto de 13 anos em São Vicente que por uma brincadeira, veio a falecer.

Não sejamos exageradas para dizer que só agora com advento da WWW temos perdido filhos. Eles faleciam também antes disso.

Mas antes perdíamos filhos nos rios, nos matos, nos mas hoje temos perdido eles dentro do quarto!

Quando brincavam nos quintais ouvíamos suas vozes, escutávamos suas fantasias e ao ouvi-los, mesmo a distância, sabíamos o que se passava em suas mentes. Quando entravam em casa não existiam uma TV em cada quarto, nem disposto eletrônico em suas mãos. Quero deixar bem claro que não sou contra e nem capetizo  tudo isso. Mas queridos, precisamos ser sinceros: temos perdido o equilíbrio. Hoje não escutamos suas vozes., não ouvimos seus pensamentos e fantasias, as crianças estão ali, dentro dos seus quartos, e por isso pensamos estarem em segurança.

Quanta imaturidade a nossa. Agora ficam com seus fones de ouvido, trancados em seus mundos, construindo seus saberes sem que  saibamos o que é...

Alguns , como o garoto de São Vicente, perdem literalmente a vida, mas tantos outros aí, ainda vivos em corpos, mas mortos em seus relacionamentos com seus pais, fechados num mundo global de tanta informação e estímulos, de ídolos de youtube, de modismos passageiros, que nada contribuem para a formação de crianças seguras e fortes para tomarem decisões moralmente corretas e de acordo com seus valores familiares.

Dentro de seus quartos perdemos os filhos pois  não sabem nem mais quem são ou que pensam suas famílias, já estão mortos de sua identidade familiar....

 Se tornam uma mistura de tudo aquilo pelo qual eles tem sido influenciados e pais nem sempre já sabem o que seus filhos são.

Você hoje pode ler esse texto, amar, marcar os amigos. Pode enxergar neles verdades e refletir. Tudo isso será excelente. Mas como Psicopedagoga tenho visto tantas famílias doentes, com filhos mortos dentro do quarto, então faço  você um convite e, por favor aceite!

Convido  você  atirar seu filho do quarto, do tablete, do fone de ouvido, convido a você a comprar jogos de mesa, tabuleiros e ter filhos  na sala, ao seu lado por mínimo 2 dias estabelecidos na sua semana a noite (além de sábado e domingo). E jogue, divirta-se com eles, E jogue, divirta-se com eles, divirta-se com eles, escute as vozes, as falas, os pensamentos e tenha a grande oportunidades  de tê-los vivos, “dando trabalho” e que eles aprendam a viver em família, se sintam em família, se sintam pertencentes  no lar para que não precisem se aventurar nessas brincadeiras malucas para se sentirem alguém  ou terem  um pouco de adrenalina que antes tinham com as brincadeiras no quintal!

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